A tentativa de Jair Bolsonaro de interferir na indicação do
Superintendente da Polícia Federal no Rio quebrou de vez o que ainda
restava de confiança de delegados da cúpula da corporação, de diferentes
partes do país, no presidente. Um pedido de demissão coletiva não está
descartado, caso Bolsonaro insista na investida.
As críticas ao presidente são abertas e contundentes. Um dos
policiais mais prestigiados entre os colegas afirma não se recordar de
nada parecido vindo de qualquer outro presidente desde a
redemocratização do país.
Na quinta (15), Bolsonaro anunciou que o superintendente do Rio seria um nome de sua confiança deslocado de Manaus —o delegado Alexandre Saraiva. Afirmou que era ele quem mandava e que não seria um presidente “banana”.
Horas depois, com a reação contundente da PF, recuou.
De acordo com um dos policiais, aceitar ingerência de Bolsonaro na PF
significará o fim da corporação —que não seria o espaço apropriado para
ele mostrar que pode mandar e desmandar.
O ex-ministro Gustavo Bebianno,
que era um dos assessores mais próximos e conviveu intensamente com
Bolsonaro na campanha eleitoral, credita o estilo “eu que mando” do
presidente a “complexos que ele traz do passado”.
“O presidente tem revelado extremo grau de insegurança. Essa coisa de
querer mostrar, a ferro e fogo, todo o tempo, que é ele quem manda, sem
escutar a ninguém e sem aceitar qualquer tipo de ponderação, é muito
ruim para o nosso país. O presidente precisa superar os complexos que
traz do passado e mostrar maior grandeza de espírito”, diz Bebianno.
Ele diz ainda que aprendeu com o mestre de jiu-jitsu Hélio Gracie que
o campeão precisa nutrir a nobreza de espírito. “Hoje, o capitão é o
vencedor. É hora de engrandecer a alma”.
Esse é o "cara" que vai acabar com a corrupção?
MÔNICA BERGAMO
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