O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pretende esperar
que o governo tenha votos para só então pautar a indicação do deputado
Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a Embaixada do Brasil em Washington. A
indicação do filho do presidente Jair Bolsonaro deve ser formalizada
pelo Planalto na semana que vem e, para que a nomeação ocorra, precisará
ser aprovada pelos senadores.
No momento, a avaliação de parlamentares é que não há votos
garantidos para a aprovação. Eduardo precisa de metade mais um dos votos
dos presentes no dia da votação, tanto na comissão quanto no plenário
para receber o aval da Casa. Inicialmente, Alcolumbre manifestou a
interlocutores seu descontentamento com o nome de Eduardo para a
representação diplomática nos Estados Unidos.
O pedido de retirada das indicações de dois conselheiros para o
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), feito por Bolsonaro
na quinta-feira, no entanto, facilitou a situação com o presidente do
Senado, de acordo com aliados do parlamentar. Como o Estado publicou
nesta sexta-feira, Alcolumbre havia discordado dos nomes para o Cade.
Com o cancelamento das indicações, agora participará da escolha dos
novos conselheiros.
No Senado, Alcolumbre pode segurar ou adiantar a indicação de
Eduardo, como fez com a nomeação de outros embaixadores. Hoje, 13
indicações para representações diplomáticas feitas por Bolsonaro ainda
não foram lidas por Alcolumbre e não começaram a tramitar no Senado. O
presidente da Casa não precisa, no entanto, seguir a ordem de chegada
dessas indicações.
Para que uma indicação comece a tramitar, Alcolumbre precisa ler, no
plenário, a mensagem presidencial com o nome encaminhado. No primeiro
semestre, as indicações de Bolsonaro levaram, em média, 34 dias para
serem lidas por ele, conforme levantamento do Estado. Sete delas ficaram
mais de 40 dias à espera da leitura.
Os nomes para as embaixadas no Catar e na República Helênica
(Atenas), por exemplo, ficaram 56 dias paradas na mesa do presidente do
Senado. Já outras, como para Itália e Malásia, tiveram tratamento
diferenciado: cinco dias entre o encaminhamento da mensagem presidencial
e a leitura.
Bolsonaro enviou 30 indicações ao Senado. A do diplomata Ronaldo
Costa Filho, para a Representação Permanente do Brasil junto às Nações
Unidas, por exemplo, espera o encaminhamento do presidente da Casa
legislativa desde 10 de abril.
Pense num retrocesso.
Estadão Conteúdo
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